quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Hoje é o dia da Sophia. Da nossa Sophia, a do "dia inicial inteiro e limpo", fundida com o mar, navegante de um Abril na rua. "A minha vida é o mar e Abril a rua". Mas igualmente a Sophia dum outro Sul, onde "o sol cai a direito e há sítios onde o até o chão é caiado". A Sophia das ânforas de barro, pitonisa de Creta, esbatida entre a penumbra e o sol, entre o corpo de "Orfeu dilacerado pelas fúrias" e um "reino de praias verdes, no azul suspenso da noite, na pureza da cal, na pequena pedra polida, no perfume do óregão".
Esta é a Sophia do nosso desassossego, que nos acoita na serenidade pálida do amanhecer.

excertos da "Geografia", poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen.
(Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)
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