A Bordo.
Claro que é parecido este pequeno
retrato dele, a lápis.
Feito num momento, no convés do barco,
numa tarde encantadora.
O mar da Jónia a rodear-nos.
Parece-se com ele. Não era ele mais belo?
Sensível era a ponto de sofrer-
o que seu rosto iluminava.
Mas belo me aparece, agora que,
fora do Tempo, eu o recordo n`alma.
fora do tempo. Tudo isto é muito antigo-
o desenho, e o navio, e o entardecer.
1919.
Constantin Kavafis, 90 e mais quatro poemas, trad. de Jorge de Sena, Edit. Inova.

Sem comentários:
Enviar um comentário