sexta-feira, 31 de maio de 2019
A Bordo.
Claro que é parecido este pequeno
retrato dele, a lápis.
Feito num momento, no convés do barco,
numa tarde encantadora.
O mar da Jónia a rodear-nos.
Parece-se com ele. Não era ele mais belo?
Sensível era a ponto de sofrer-
o que seu rosto iluminava.
Mas belo me aparece, agora que,
fora do Tempo, eu o recordo n`alma.
fora do tempo. Tudo isto é muito antigo-
o desenho, e o navio, e o entardecer.
1919.
Constantin Kavafis, 90 e mais quatro poemas, trad. de Jorge de Sena, Edit. Inova.

quinta-feira, 23 de maio de 2019
domingo, 19 de maio de 2019
Uma parte da minha vida tem sido passada em viagens. Eu, que que tenho um medo visceral de andar de avião, suportei (e ainda suporto), toda a espécie de sintomas fisiológicos de cada vez que se avizinhava (avizinha) uma partida ou uma chegada.
De todas, a viagem ao Egipto foi das que mais me marcou. Foi em 2008, na EgypthAir. Ainda tinha os cabelos claros e o meu corpo suportava o impacto das marés. Lembrei-me hoje dela, por via da tragédia.
Mais uma, menos uma e, um dia destes, damos por nós calcinados, indiferentes, acomodados pelas rotinas trágicas do quotidiano.
Os nossos olhos, o nosso corpo, o nosso espírito banalizam, dia após dia, a fúria, a raiva, a dor. E somos nós, inteiros, ou em pedaços que procuramos o medo com medo de o perder.


19 de Maio de 2016.
De todas, a viagem ao Egipto foi das que mais me marcou. Foi em 2008, na EgypthAir. Ainda tinha os cabelos claros e o meu corpo suportava o impacto das marés. Lembrei-me hoje dela, por via da tragédia.
Mais uma, menos uma e, um dia destes, damos por nós calcinados, indiferentes, acomodados pelas rotinas trágicas do quotidiano.
Os nossos olhos, o nosso corpo, o nosso espírito banalizam, dia após dia, a fúria, a raiva, a dor. E somos nós, inteiros, ou em pedaços que procuramos o medo com medo de o perder.



19 de Maio de 2016.
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