terça-feira, 20 de novembro de 2018

20 de Novembro de 1959, Declaração dos Direitos das Crianças
20 de Novembro de 1989, Convenção sobre os Direitos da Criança.
Relatório da UNICEF:
"Na data em que se assinala o dia Universal da Criança, a UNICEF lembra que os direitos de milhões continuam a ser violados todos os dias. E prova isso com números que não deviam existir.
São 50 milhões, as crianças que vivem deslocadas em todo o mundo. Vinte e oito milhões foram forçadas a fugir de casa por causa da guerra e dos conflitos.
Em todo o mundo, quase 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema mais de 250 milhões em idade escolar não estão a aprender.
A UNICEF destaca também que perto de 300 milhões de crianças vivem em zonas com os níveis tóxicos de poluição."
Imagens: Sebastião Salgado, Êxodos.A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas sentadasA imagem pode conter: uma ou mais pessoas, criança e closeupA imagem pode conter: uma ou mais pessoasA imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Acerca das sinestesias neste tempo outonal.
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"Vincent tinha descoberto as leis da cor enquanto vivia em Nuenen e achava-as "indiscritivelmente belas". Pela mesma altura, estimulado pelas analogias que agora descobria entre a pintura e a música de Wagner, tivera lições com o organista da Igreja de Santa Catarina (...). Não correram bem: Vincent estava sempre a comparar acordes musicais com azul-prussiano ou amarelo-cádmio, pelo que o organista concluiu que estava a lidar com um louco.(...).
Gauguin afirmava que quando olhava para um Delacroix tinha "as mesmas sensações que depois de ter lido alguma coisa". Quando ouvia um quarteto de Beethoven, "saio da sala com imagens coloridas que vibram nas profundezas da minha alma (...)".
Martin Gayford, A Casa Amarela, ed. Bizâncio.
Poplar Avenue at Nuenen painting - Vincent van Gogh
Parahi te maras, 1892 - Paul Gauguin.
A imagem pode conter: árvore, céu, planta, ar livre e natureza

domingo, 18 de novembro de 2018

Para ti, ó Poeta, que pintas a velatura dos dias.

A 19 de Outubro passaram seis anos sobre a tua morte.
Hoje, 18 de Novembro, farias 76 anos.
E continuas vivo, ó Poeta.

Quatro anos depois, continuas Vivo, ó Poeta!

Saudade da Prosa

Poesia, saudade da prosa;
escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.
E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava

senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,

o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.

Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?

Manuel António Pina (18 de Novembro,1943-19 de Outubro, 2012) in Rosa do Mundo, Manuel Hermínio Martinho.A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado
Entre a Alexandria de Cavafy e a Lisboa de José Cardoso Pires.

"Daí também que nós, os que somos dela, lhe estejamos tão errantes na paixão. Um dia pode acontecer que, sentados como agora sobre o rio, a tentemos ler pela voz dos outros e então ainda nos sentiremos mais errantes, mais incertos. Entre uma Lisboa de Tirso de Molina, saudada como "a oitava maravilha", e a Lisboa que Fielding, o genial, amaldiçoou como um pesadelo leproso, correm águas insondáveis. Beckford viveu-a em palácio, Sade inventou-a num cárcere de rancores. "Lisboa oferece uma apreciável variedade de escolhas para um nobre suícidio", escreveu um dos grandes narradores dela, Antonio Tabucchi. Vozes, tudo vozes. Olhares. Memorações.
Quando por fim fechamos a página onde líamos a cidade, descobrimos que a vidraça do café está toldada por uma dança de gaivotas em turbilhão e que não há Tejo. Que desapareceu por trás duma desordem de asas e já não é prenúncio de oceano.
Então, ternamente, confiadamente, reconhecemo-nos ainda mais ancorados à cidade que nos viu partir."

José Cardoso Pires, Lisboa Livro de Bordo, 1997
António Costa Pinheiro-Espaço Poético-Natureza-1983.Texto alt automático indisponível.

sábado, 17 de novembro de 2018


17 de Novembro de 2017.

Amanhã regresso à cidade virada para o rio de partidas e chegadas.
Levo as mãos engelhadas pelo frio do amanhecer. Transporto, igualmente, rins acima, rins abaixo, uma valente dor de costas que com o tempo se diluirá. (espero).
Fiz votos de quase silêncio uma semana bem contada.
Diga-se, do fundo do coração, que não tenho muitos desejos de daqui sair.
O jardim está lindo e quase pronto.
Finalmente tenho uma casa encastrada entre uma floresta telúrica e um jardim à beira verde florido.
Os contrastes bem paridos dão quase sempre bons resultados.

17 de Novembro de 2017.

Corria a década de 50.
Quando eu era menina obediente e,a ferro e fogo, era obrigada a vir para o campo passar um penoso mês de férias, os serões eram passados à luz do candeeiro de petróleo e da candeia de azeite e a noite era longa,. sem princípio, nem fim.
O sono corrompia-nos ao dobrar da esquina, sem sombra de pecado.
Agora, carregados de pecados, num tempo de silêncios, Morfeu, intemporal, continua sem nos dar tréguas.
Anestesiada pelo peso do cansaço vou dormir.
Quem te viu e quem te vê.