
Hoje é dia mundial da Poesia. Tão arredada ela anda do nosso quotidiano, que nos esquecemos da força que transmite. Longe vão os dias dos poetas, fossem eles malditos, proscritos, ou simplesmente "cultivadores" militantes das palavras. Percorremos um tempo quase "limbático" de esquecimento, pragmático, voraz, assustador. Quem invoca hoje a Poesia? Quem a elege como sua dama branca?
Talvez uma rápida lembrança no CCB e, seguramente a Paula Moura Pinheiro, logo à noite, no "Câmara Clara". De resto ficará a notícia da efeméride, como de todos os outros dias mundiais. Porque isto de ter um dia, tem que se lhe diga!.
Por mim, em jeito de evocação releio o meu poeta proscrito de eleição- Al Berto. Dele retenho o poema "Kandinsky escondido atrás da tela" , do livro , O Medo, publicado pela Assírio e Alvim. Uma tripla homenagem às três grandes artes: a Música, a Poesia e a Pintura.
Talvez uma rápida lembrança no CCB e, seguramente a Paula Moura Pinheiro, logo à noite, no "Câmara Clara". De resto ficará a notícia da efeméride, como de todos os outros dias mundiais. Porque isto de ter um dia, tem que se lhe diga!.
Por mim, em jeito de evocação releio o meu poeta proscrito de eleição- Al Berto. Dele retenho o poema "Kandinsky escondido atrás da tela" , do livro , O Medo, publicado pela Assírio e Alvim. Uma tripla homenagem às três grandes artes: a Música, a Poesia e a Pintura.
Kandinsky escondido atrás da tela
muito antes de ter adoptado formas
rigorosamente geométricas (para fugir à anarquia)
pintei este arco negro ligando duas zonas
da mesma paisagem: ponte escura
por onde - tu que me olhas - podes passar
ao encontro da intensa chama das manhãs
e do outro lado do arco onde o vento e a árvore
se perdem na euforia das suas próprias cores
se perdem na euforia das suas próprias cores
- escondido atrás da tela - vejo-te
cada vez mais próximo como se avançasses
dos lumes te acercasses de mim: o olhar envolto
na teia harmoniosa da colorida música

