sábado, 27 de abril de 2019



Uma Revolução altera de forma profunda as estruturas políticas, económicas, sociais e, mais lentamente as mentalidades. E foi isso que aconteceu em 1974. As lutas de trabalhadores e de estudantes, a contestação constante à guerra colonial, a pressão internacional, abalaram as estruturas do regime ditatorial e prepararam, inequivocamente, o advento da democracia. 
Sendo o Movimento dos Capitães a alavanca destas profundas mudanças, não pode deixar de se inserir nesta onda de contestação crescente e imparável já que, por si mesmo, ele parte de uma luta interna nas forças armadas bem como da contestação à continuação da guerra colonial.
Contestação essa que congregou a força de três frentes activas: a da metrópole, a pressão internacional e os organizados movimentos de libertação nas colónias, alavanca motora de um regime caduco e moribundo.
Em Abril caiu uma ditadura e nasceu uma democracia, posteriormente legitimada por uma nova Constituição.
Em Abril o Povo e o MFA fizeram uma Revolução.
O 25 de Abril nasceu, também em África.
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domingo, 21 de abril de 2019


Porque este ano, o 25 de Abril também é a uma 5ª feira.

Com 24 anos em 74 por onde corria o tempo.
Já deixara para trás a faculdade de Letras e as coutadas feudais de alguns professores de pendão e caldeira. Já acalmara o desassossego das correrias em fuga à polícia de choque, alameda da universidade acima, alameda da universidade abaixo.
Professora ao "serviço da primavera marcelista" voava diariamente para Vila Franca de Xira, cuja terra já era vermelha, ainda que eu "militasse" então, no horizonte é vermelho e nas lides cineclubistas, com a aguerrida esperança de atravessar o Iangtzé a nado ao lado do homem do leme que acreditava ser o timoneiro do destino
Mas já andarilhava e muito. Dez dias antes do "dia inicial inteiro e limpo", voltava de Paris, agarrada ao meu mini e pendurada num namorado em fim de escala que despejei com um até nunca, lá para os lados da Estrela. Deste não consta que tenha havido depois do adeus.
Faltavam oito dias e já pairava no ar o cheiro a cravos e a esperança.
E foi numa 5ª feira que renascemos, "como casa limpa/ como chão varrido/ como porta aberta/ como puro início/ como tempo novo".
E a rua tornou-se, então, o nosso local sagrado da alegria.
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